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terça-feira, 22 de maio de 2012

SÉ DA GUARDA

A Sé Catedral da Guarda impõe-se pela sua grandiosidade e beleza. Construída entre os séculos XIV e XVI, reflecte a evolução das filosofias construtivas que percorreram estes séculos. Do estilo Românico ao Manuelino, passando pelo Renascentista, a Sé Catedral soube incorporar e harmonizar as diversas correntes arquitectónicas. No seu interior, poder-se-á contemplar o retábulo de João de Ruão, fiel representante da vida Cristã, e a Capela dos Pinas, imbuída de elementos Renascentistas por excelência, de que são exemplo os motivos florais e animais.
RETÁBULO
OINTERIOR DA SÉ

SÉ GA GUARDA

É o teu símbolo de nobreza e religiosidade, trigueiro monumento à própria pedra que o constrói, empresa levada a cabo só por voluntariedade de granito, a qualidade mais serrana que vinculas aos teus filhos. Símbolo da tua própria fortaleza e temeridamente, bem te lembras que foi por voto de D. Fernando que se ergeu, quando mandou demolir a Catedral de D. Sancho II por ser fora da muralha e representar para ti permanentemente ameaça. Mas a desventurada guerra com Castela não permitiu ao Formoso cumprir a promessa e foi D. João I quem logo depois do começo do Mosteiro da Batalha, lhe deu fundamento. A obra andou paralela à da Batalha e foi já no séc. XVI que se findou, tendo como grande impulsionador o requintado bispo D. Vaz Gavião que lhe trouxe como empreiteiros os dois irmãos Henriques, filhos de Mateu Fernandes, e como escultor da fachada o seu factótum Marcos Pires que por todo o lado lá ia deixando pousados na pedra os gaviões do orgulhoso bispo. Lá estão em Santa Cruz de Coimbra e cá os tens pomposamente na fachada, como se a Sé fosse dele e não tua, Guarda. Mas vamos entrar antes pelo portal norte que é mais belo e de traça anterior, gótico, em ondas de arquivoltas a morrerem em graciosos capitéis, já num repolhudo que não encontramos na belíssima abóbada artesoada quando, ao entrarmos, somos levados quase ao êxtase pela maravilhosa mas austera perspectiva enredada das três naves, que se irrompe na abside, ao encontrar-se com o espectacular retábulo renascentista da Escola Coimbrã, de João de Ruão. É pena que da catedral tenha saído o outro retábulo da mesma escola que vamos encontrar no teu museu, nessa preocupação exagerada que houve de limpar as igrejas dos pretensos excesso. Encontrava-se na Capela dos Ferros baptizada assim pelas grades que tem e mandada fazer por Luís de Abreu Castelo Branco. Outra capela a admirar é a dos Pinas, de belo portal renascentista requintadamente levantado a lavores e com o túmulo gótico arcaizante de D. João de Pina, magnífica estátua jacente em tormentosa expressão do extertor da morte... Trifório, absidíolos e a imponência do arco triunfal têm de ser também atentamente admirados. ORIGEM: MUNICÍPIO DA GUARDA

SÉ DA GUARDA

O retábulo da Sé / O retábulo da Sé da Guarda assombra-nos pela magestade das proporções e pela delicadeza da execução. O motivo central deste retábulo é a paixão e Morte de Jesus Cristo. A composição está dividida em quadros menores como é vulgar neste período. As Torres / As duas torres campanários da Sé com forma octogonal nos corpos superiores e quadrangulares nos inferiores, formando corta-águas, diferem das clássicas torres gótics pela falta da agudíssima flecha. É esta uma das particularidades mais interessantes da Catedral. As Torres não chegaram a ser acabadas. A forma octógona é vulgar na arte gótica. O portal principal / Lembra a técnica de Marcos Pires, identificado no portal da Capela da Universidade de Coimbra. De facto há uma certa semelhança nos desenhos. O portal lateral / A composição superior do portal é a do chamado gótico florido. Evolução das Obras / Desconhece-se a data exacta em que teve início a obra. Em 1426 erguia-se já a abside e o pórtico lateral do norte, o mais belo e artístico da Catedral. Ia ser lenta e morosa a edificação, cujo período de maior actividade se deve ao bispo D. Pedro Gavião. (1504-16) no reinado de D. Manuel I. À morte desse prelado encontrava-se o templo no remate das abóbadas. Depois da morte de D. Pedro Gavião os trabalhos de vedação e lageamento do extradorso voltaram à anterior morosidade, tendo somente sido dada por concluída em 1540. Durara a construção perto de 150 anos, isto é, desde os finais de séc. XIV aos meados do séc. XVI. No séc. XVIII a primitiva obra foi adulterada com anexos e acrescentamentos. Nos princípios do séc. XX começaram as obras do restauro sob orientação técnica do arquitecto Rosendo Carvalheira, tendo como colaborador artístico Mestre Valentim, um dos mais hábeis cinzeladores do granito, que têm passado pela Guarda. Ernesto Pereita, baseado no estudo da herálica da Catedral feito por José Osório da Gama e Castro, dá-nos o seguinte esquema da ordem de edificação: 1390-1396 - bispo D. Frei Vasco - Alicerces. 1397-1416 - bispo D. Gonçalo Vasques da Cunha - Abside, Sacristia, pórtico lateral norte, e levantamento parcial do edifício por esse lado. 1435-1458 - bispo D. Luís da Guerra - Pórtico nascente, capela do Sacramento: levantamento parcial por esse lado. 1504-1517 - bispo D. Pedro Vaz Gavião - período áureo. Elevação de todo o edifício, torres, pórtico principal, remate das abóbadas e coroamento. 1530-1540 - bispo D. Jorge de Melo - Lageamento e vedação das plataformas. A planta da Catedral / A planta da Sé da Guarda é de tradição romântica, embora se trate de um edifício gótico. Vista de avião a catedral parece uma enorme cruz. A nave central ergue-se entre as suas colaterais, cortada por uma nave cruzeira. Fonte: Beira Alta, de Francisco Hipólito Raposo; Monografia Artistica da Guarda,de Adriano Vasco Rodrigues.

SÉ DA GUARDA

SÉ DA GUARDA

SÉ DA GUARDA

A Sé-Catedral da Guarda (Guarda, Portugal) foi erguida no seguimento do pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III para transferir a diocese de Egitânia para a nova cidade da Guarda. Da original construção, de estilo românico, nada resta. Foram, no entanto, encontrados alguns vestígios que apontam para um edifício simples. Seria mandada construir por D. Sancho II uma segunda catedral, no local onde se situa a actual Igreja da Misericórdia, concluída no século XIV, mas mais tarde destruída aquando da reforma fernandina das muralhas, por se situar fora delas. A construção da actual Sé da Guarda remonta aos finais do século XIV, já no reinado de D. João I — D. Fernando teria falhado na promessa de erguer novo templo —, por iniciativa do bispo Vasco de Lamego, partidário da casa de Avis durante a crise dinástica. As obras arrastaram-se lentamente e só no reinado de D. João III seriam concluídas, já em pleno século XVI, sendo por isso um dos monumentos portugueses dos últimos tempos do gótico, com evidências claras da influência manuelina. A história da catedral teve um período importante na sua conservação, na viragem para o século XIX: em 1898 coube ao arquitecto Rosendo Carvalheira o restauro do edifício, executando aqui um dos mais importantes projectos de restauro revivalista, pelo que é notável o estado de conservação da catedral. Encerrada ao culto durante a Instauração da Républica, com a desculpa de garantir a sua restauração nunca realizada, reabriu de novo em 21 de Junho de 1921 para a sagração episcopal de D. José do Patrocínio Dias, bispo de Beja e natural da Covilhã, Diocese da Guarda. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Visível nesta fotografia são as influências góticas e manuelinas.
Fachada principal.